Com dinâmicas entre os setores e palestra sobre corpo e saúde mental, Gestão de Pessoas da FUNDECC leva o cuidado para dentro da rotina de trabalho
Por Simone Paiva – Analista de Comunicação Fundecc – 22 de setembro de 2026.
“A gente consegue dialogar mais com as outras pessoas”, conta Juliana de Lourdes, do Setor de Projetos da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC). Para ela, as atividades do Setembro Amarelo abriram espaço para algo que nem sempre recebe atenção durante o expediente: perceber como o colega está. “Às vezes, na correria do dia a dia, a gente não consegue ver isso.”
Em uma das ações, o convite veio acompanhado pelo som de um sino. Renata Mercês, da Gestão de Pessoas, passou pelos setores com um cartaz: “Me acompanhe.” Os colaboradores deixaram suas atividades por alguns minutos e seguiram para a área externa da Fundação.
Primeiro, caminharam em silêncio. A proposta era sentir o ambiente, observar a natureza e ouvir o canto dos pássaros. Depois, Renata conversou com o grupo sobre a importância de pausar, respirar e olhar para o outro. Só então veio a “roda da gratidão”: cada participante se voltou para a pessoa ao lado e lhe desejou algo bom. Amor e saúde estiveram entre as palavras que circularam pela roda.
“Sempre temos algo de bom para receber e desejar. Que sejamos esse elo de boas vibrações e empatia”, resume Renata.

A dinâmica foi uma das atividades preparadas pela Gestão de Pessoas para o Setembro Amarelo, dentro do programa FUNDECC+. Ao reservar momentos do expediente para essas experiências, o setor buscou aproximar os colaboradores e trazer a conversa sobre saúde mental para situações da convivência diária.
Segundo Renata, as propostas foram pensadas a partir da percepção das necessidades das equipes. O objetivo era trabalhar os vínculos, a comunicação e o respeito aos limites de cada pessoa, além de incentivar o autocuidado.
“Você tem que entender os limites de cada um e respeitar esses limites. E, no ambiente de trabalho, para que ele se torne um ambiente mais colaborativo, esse cuidado genuíno é importante”, afirma.
Para ela, oferecer apoio também exige respeitar a vontade do colega de conversar ou não sobre o que está vivendo. A aproximação começa pela disponibilidade de ouvir, sem pressionar.
O corpo também participa dessa conversa
No dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a programação contou com a palestra “A importância do corpo na saúde mental”, conduzida pela fisioterapeuta integrativa Rízia Corrêa, no teatro da Diretoria de Educação a Distância da UFLA.
Rízia abordou a relação entre as emoções e as respostas do corpo ao ambiente. “Uma coisa está ligada na outra e a gente tem que aprender a usar isso a nosso favor”, disse, ao falar sobre corpo e mente.
Nas dinâmicas, os colaboradores também foram convidados a perceber como estavam e quando precisavam de uma pausa. Na avaliação de Renata, esses momentos não devem ser vistos como tempo perdido, mas como parte do cuidado durante a jornada.
“Vamos parar um pouquinho daquilo que você acha que não pode parar”, propõe. Entre suas sugestões estão respirar, olhar a natureza pela janela e conversar com um colega.

Um cuidado que continua
Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental em 2023. Ansiedade e depressão eram os mais comuns. No Brasil, um boletim do Ministério da Saúde publicado em 2024 apontou aumento de 42% na taxa de mortalidade por suicídio entre 2010 e 2021.
O suicídio envolve múltiplos fatores. Por isso, ações de convivência e acolhimento devem fazer parte de um cuidado mais amplo, que inclui acesso a acompanhamento profissional quando necessário.
Na FUNDECC, a integração também apareceu no depoimento de Júnior Alves, do Setor de Projetos. Ao lembrar uma fala da diretora executiva Ana Paula Melchiori, ele destacou a participação de cada pessoa no trabalho coletivo: “A gente é uma engrenagem, com peças grandes e peças pequenas, mas a gente precisa fazer essa engrenagem funcionar.”
Com mais uma dinâmica prevista para o encerramento do mês, Renata avalia positivamente a participação dos colaboradores. Mas ressalta que a atenção à saúde mental não termina com a campanha.
“A saúde mental, a gente sabe que precisa trabalhar o ano todo.”
Fontes dos dados:
Organização Mundial da Saúde — Transtornos mentais
Ministério da Saúde — Boletim Epidemiológico, volume 55, nº 44.
