Adquirido com recursos da Fapemig e gestão da FUNDECC, o equipamento reduz a exposição do operador durante aplicações agrícolas e passa a integrar a estrutura de pesquisa da UFLA
Por Simone Paiva – Analista de Comunicação Fundecc – 30 de setembro de 2026.
Para o tratorista André Francisco da Silva, a principal novidade do equipamento entregue à Fazenda Muquém não está apenas no motor ou na capacidade de trabalho. Está na cabine fechada, que separa o operador dos produtos aplicados do lado de fora.

“A cabine é muito importante porque oferece mais proteção. Agora vamos trabalhar com mais segurança e tranquilidade.”
O trator agrícola foi entregue em 28 de setembro ao Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Agropecuária, conhecido como Fazenda Muquém. A unidade pertence à Universidade Federal de Lavras (UFLA) e recebe experimentos, aulas práticas e atividades de pesquisa de diferentes áreas das ciências agrárias.
De média potência, com tração 4×4 e cabine fechada de fábrica, o novo trator poderá ser utilizado em diferentes serviços. Para o professor João Cândido Souza, coordenador da Fazenda Muquém, o ganho mais imediato está na proteção de quem opera a máquina durante as aplicações agrícolas.

“A cabine protege o aplicador da deriva e do contato com os defensivos. Ela é fechada e possui um sistema de filtragem que permite ao operador trabalhar isolado dos produtos que estão sendo aplicados do lado de fora.”
Segurança diante das novas exigências
A aquisição também acompanha as mudanças previstas na Norma Regulamentadora nº 31, do Ministério do Trabalho e Emprego. A NR-31 estabelece regras de segurança e saúde no trabalho rural e determina o uso de máquina com cabine fechada, original de fábrica ou adaptada, na aplicação de agrotóxicos com atomizador mecanizado.
Os prazos de adequação variam conforme o tamanho da área abrangida pela aplicação. Na Fazenda Muquém, a opção por um modelo já cabinado antecipa esse movimento e amplia a proteção independentemente do prazo aplicável à unidade.
Além da barreira física, a cabine facilita a rotina do operador. Equipamentos como GPS e cabos utilizados junto ao pulverizador podem permanecer protegidos no interior do trator. Antes, parte dessa estrutura precisava ser instalada no início do trabalho e retirada ao fim do dia para não permanecer exposta.
Uma compra que não estava prevista
O trator foi adquirido no âmbito do projeto Fapemig APQ-01461-24, coordenado pelo professor Luís Roberto Batista. O equipamento, porém, não constava no plano de trabalho aprovado inicialmente.
Depois de identificar a necessidade de um trator cabinado, João Cândido procurou o Setor de Projetos da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC). A justificativa para a inclusão do equipamento foi preparada em conjunto com Júnior Alves (Setor de Projetos). O pedido foi protocolado na Fapemig em 1º de julho de 2026 e aprovado no dia 14 do mesmo mês. A financiadora autorizou a utilização de até R$ 270 mil, provenientes dos rendimentos da aplicação financeira do próprio projeto.
Com a autorização, a FUNDECC conduziu o processo de compra. O trator foi adquirido. Por R$ 246 mil, deixando um saldo de R$ 24 mil em relação ao valor aprovado.

“É um marco para a FUNDECC e para os projetos financiados pela Fapemig. O trator não estava previsto no plano inicial. Preparamos uma justificativa, encaminhamos a solicitação e conseguimos a aprovação. Depois, o processo de compra avançou até a entrega do equipamento.”
Segundo Júnior, trata-se do primeiro trator agrícola adquirido pela Fundação com recursos da Fapemig. Entre a preparação do pedido, no fim de junho, e a entrega na Fazenda Muquém, passaram-se aproximadamente três meses.
Parte de uma modernização maior
O trator chega durante um processo de renovação das máquinas utilizadas no Muquém. Uma colheitadeira e um pulverizador foram incorporados à estrutura em 2025. Em 2026, chegaram o drone pulverizador, uma plantadeira e outros equipamentos. Três novas aquisições ainda estão em andamento.
João Cândido estima que cerca de 80% da modernização planejada já tenha sido realizada. A atualização é importante para automatizar etapas como o plantio e a colheita das parcelas experimentais, reduzindo a dependência de tarefas manuais.
A Fazenda Muquém ocupa aproximadamente 170 hectares e conta com quatro funcionários para atender às atividades de campo e às demandas de manutenção da área. Mais de 70 experimentos são conduzidos no local a cada ano, com participação de mais de 100 estudantes por semestre.
“Com as semeadoras e a colhedora, conseguimos automatizar o plantio e a colheita das parcelas experimentais. Isso faz diferença para cuidar de uma fazenda de 170 hectares.”
