Estado registrou cerca de 1.700 casos de Oropouche em 2025; LabMol amplia diagnóstico e prepara o Sul de Minas para resposta rápida a novos cenários epidemiológicos.
Por Simone Paiva – Analista de Comunicação da FUNDECC – 04 de Março de 2026.
O Sul de Minas passa a contar com um reforço estratégico na vigilância epidemiológica. O Laboratório de Diagnóstico Molecular (LabMol), da Universidade Federal de Lavras (UFLA), coordenado pelo professor Bruno Del Bianco, foi habilitado para realizar o diagnóstico molecular de Oropouche, Mayaro e
Febre Amarela, ampliando a autonomia regional na identificação de arboviroses emergentes.


O LabMol tem gestão financeira e administrativa da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural – (FUNDECC) na aquisição de insumos e equipamentos.
A habilitação ocorre em um cenário que exige preparo técnico contínuo. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, cerca de 1.700 casos de Oropouche foram registrados no estado em 2025. Em 2026, até o momento, não há casos confirmados.
Em relação ao vírus Mayaro, não houve registros no ano passado nem neste ano.
Já a Febre Amarela contabilizou 32 casos confirmados em 2025, e nenhum caso até agora em 2026.
Para o professor Bruno Del Bianco, a ampliação da capacidade diagnóstica é uma medida preventiva.
“Mesmo quando os números estão sob controle, a vigilância precisa estar preparada. A descentralização do diagnóstico permite detectar rapidamente qualquer mudança no cenário epidemiológico e comunicar as autoridades sanitárias com agilidade. ”
Vírus diferentes, vetores diferentes — sintomas semelhantes
Embora façam parte do grupo das arboviroses, os vírus possuem vetores distintos.
- Oropouche é transmitido em meio urbano principalmente pelo o mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim. Em diferentes regiões do Brasil, especialmente na Amazônia e no Norte do país, também pode ser chamado de mosquito pólvora, mosquitinho do mangue ou simplesmente maruim da Amazônia.
- Mayaro também é transmitido por mosquito do gênero Haemagogus, associado a ambientes silvestres, conhecido popularmente no Brasil como “mosquito silvestre” ou, em algumas regiões da Amazônia, como “mosquito da mata”. Contudo, há evidências experimentais de competência vetorial de Aedes aegypti e Aedes albopictus, o que levanta preocupação quanto à possível urbanização do ciclo de transmissão.
- Febre amarela pode ser transmitida por diferentes vetores, incluindo mosquitos do gênero Aedes (no ciclo urbano) e vetores silvestres em áreas de mata.
Apesar das diferenças nos vetores, os sintomas são bastante semelhantes entre si e frequentemente confundidos com os da dengue.
“Os sintomas são inespecíficos: febre, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, mal-estar. Muitas vezes o paciente acha que é dengue, mas pode ser outro vírus. Apenas o diagnóstico molecular, realizado na fase aguda e dentro da janela adequada de detecção viral, permite diferenciar com precisão as arboviroses com manifestações clínicas semelhantes.”, explica Bruno Del Bianco.
Essa semelhança clínica reforça a importância da testagem laboratorial para orientar corretamente a vigilância epidemiológica e evitar interpretações equivocadas do cenário regional.
Descentralização reduz tempo de resposta
Antes da habilitação, amostras suspeitas desses vírus eram encaminhadas para o laboratório de referência estadual, em Belo Horizonte. Com o novo status técnico, o fluxo tende a ganhar agilidade.
“A descentralização do diagnóstico, com sua realização mais próximo da região, reduz o tempo entre suspeita clínica e confirmação laboratorial, permitindo resposta mais célere. Isso fortalece a tomada de decisão da vigilância sanitária.”
O laboratório realiza análises comparativas sistemáticas com o laboratório de referência estadual e somente após a demonstração de concordância O processo de habilitação requer validação técnico laboratorial rigorosa. O laboratório realiza análises comparativas com o laboratório de referência estadual, e somente após concordância analítica plena é autorizado a integrar oficialmente o fluxo da rede.









“Se houver 100% de concordância nos testes de validação, o laboratório é habilitado para aquele determinado agravo. Já concluímos essa etapa para febre amarela, Mayaro e Oropouche.”
Estrutura a serviço do SUS


O laboratório já realiza diagnóstico molecular de vírus respiratórios — como SARS-CoV-2, influenza A e B e vírus sincicial respiratório — além de arboviroses como dengue, zika e chikungunya, incluindo a identificação de sorotipos da dengue.
Covid segue predominante entre vírus respiratórios no início de 2026
• No painel de vírus respiratórios analisado pelo LabMol, o SARS-CoV-2 segue como o agente predominante neste início de ano.
• “As amostras para vírus respiratórios analisadas até o momento em 2026 demonstram que aproximadamente 45% das amostras foram positivas, sendo predominantemente para Covid”, informa o professor Bruno Del Bianco.
• Até fevereiro, o laboratório contabilizava 352 amostras processadas, com 62 resultados positivos no total, sendo a Covid o vírus mais detectado entre os respiratórios.
• “O que está sendo prevalente neste momento é a Covid-19.”
• Além do SARS-CoV-2, também foram identificados casos de influenza A e B dentro do padrão sazonal esperado.
A estrutura do LabMol integra a rede de apoio científico da Universidade Federal de Lavras e conta com apoio de gestão da FUNDECC (Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural), responsável por dar suporte administrativo e operacional à execução de projetos de pesquisa, aquisição de insumos e manutenção das atividades laboratoriais.
“A habilitação para Febre Amarela, Mayaro e Oropouche é recente. A gente já está apta, e o fluxo deve começar em breve”, explica a assistente de laboratório Jéssica Pérez.

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