Por Simone Paiva, Analista de Comunicação da Fundecc
Por Thiago Luz, Gestor de Comunicação dos Parques Tecnológicos da IpêTech
19 de março de 2026.
Programa gratuito conduz participantes por uma jornada de criação e validação de projetos enquanto o parque tecnológico da universidade consolida seu ecossistema de startups, pesquisadores e iniciativas de inovação.
Toda inovação começa com uma pergunta: qual problema vale a pena resolver?

No ambiente de pesquisa e empreendedorismo, transformar essa pergunta em um projeto concreto exige método, investigação e experimentação. É justamente esse caminho que está no centro do Bootcamp de Ideação, iniciativa do Parque Científico e Tecnológico dos Ipês – IpêTech Lavras, da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
O programa está com inscrições abertas até o dia 20 de março e convida estudantes, pesquisadores, empreendedores e profissionais da comunidade a participar de uma jornada prática voltada ao desenvolvimento de soluções para desafios reais.

O Bootcamp Ideação é estruturado em 12 encontros semanais, baseados na Metodologia Triplo Diamante, abordagem utilizada em ambientes de inovação para orientar a criação e validação de soluções.
Durante o percurso, os participantes passam por três ciclos principais: compreensão do problema, desenvolvimento e teste de soluções e, por fim, construção e validação do modelo de negócio.
Ao longo das atividades, os participantes aprendem a investigar desafios concretos, formular hipóteses testáveis, prototipar rapidamente e tomar decisões orientadas por dados. O processo conta com mentoria de especialistas, que acompanham o amadurecimento das propostas.
As iniciativas desenvolvidas ao longo do programa avançam até o Demo Day, momento em que os participantes apresentam os resultados alcançados e os aprendizados obtidos durante a jornada.
O início das atividades está previsto para 23 de março, nas dependências do IpêTech Lavras. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail ipestart@ufla.br.
Mais do que um curso, o Bootcamp funciona como uma porta de entrada para o ambiente de inovação criado dentro da universidade.
Um ambiente onde ideias viram tecnologia
O IpêTech Lavras foi criado para aproximar ciência, empreendedorismo e desenvolvimento tecnológico. Hoje, 11 empresas integram o ecossistema do parque, entre startups incubadas, empresas graduadas e projetos em processo de instalação.

Segundo Ernane Marques da Silva, gestor do Parque Tecnológico IpêTech, o crescimento demonstra a consolidação do ambiente de inovação dentro da universidade.
“Quando a primeira reportagem foi feita, o parque tinha oito empresas. Hoje já são onze, considerando também algumas que estão em processo de instalação.”
O parque foi concebido como um espaço de convivência entre pesquisadores, estudantes, empreendedores e empresas, criando oportunidades para transformar conhecimento acadêmico em soluções tecnológicas.

O nome IpêTech foi inspirado no ipê, árvore símbolo de Lavras e conhecida por florescer mesmo em períodos adversos.
“A proposta é que diferentes áreas da universidade sejam representadas por ipês de cores distintas dentro do parque”, explica Ernane.
Tecnologia desenvolvida dentro do parque
Entre as empresas instaladas no IpêTech está a startup Vaca Roxa, que desenvolve tecnologias voltadas à pecuária leiteira.

Uma das soluções criadas pela empresa é a Raquete Digital IoT, dispositivo capaz de identificar mastite subclínica em até 40 segundos, ainda durante a ordenha.
Segundo Tatiana Nunes de Rezende, médica veterinária e integrante da startup Vaca Roxa, a doença representa um dos maiores prejuízos da cadeia produtiva do leite.
“A mastite é hoje considerada a doença que mais causa prejuízos na cadeia produtiva do leite, gerando perdas bilionárias todos os anos e impactando diretamente produtores, técnicos e indústrias.”
A tecnologia utiliza sensores eletrônicos que medem a condutividade do leite, permitindo um diagnóstico rápido e padronizado diretamente na fazenda.


“Nossa principal solução é a Raquete Digital IoT, um dispositivo desenvolvido para identificar a mastite subclínica diretamente na fazenda em até quarenta segundos, antes mesmo do aparecimento de sinais visíveis no animal.”
Além do diagnóstico imediato, os dados são enviados automaticamente para uma plataforma digital e aplicativo, permitindo o acompanhamento da saúde do rebanho.


“Nós costumamos dizer que a Raquete Vaca Roxa transforma algo que antes era uma percepção subjetiva dentro da fazenda em uma decisão baseada em dados.”
A startup foi selecionada em 2025 para o programa Cientista Empreendedor da FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e atualmente integra o ambiente de inovação do parque.
Engenharia aplicada ao campo
Outra empresa instalada no IpêTech é a Ceifa, dedicada ao desenvolvimento de tecnologias para mecanização agrícola, especialmente voltadas à cafeicultura.




Entre os projetos em desenvolvimento está uma máquina agrícola projetada para colher milho cultivado entre as linhas do café, prática cada vez mais utilizada em sistemas de consórcio agrícola.
Segundo Fábio Moreira, sócio da empresa, o parque representa uma nova etapa na relação entre universidade e sociedade.
“O parque é o passo da universidade fora do campus. É levar tecnologia, processos e produtos para a população.”

O projeto também envolve pesquisadores da universidade. Para Evandro Pereira da Silva, engenheiro mecânico e professor da UFLA, o objetivo é desenvolver soluções tecnológicas adaptadas à realidade do produtor.
“A ideia é desenvolver máquinas mais acessíveis e adequadas às condições do campo, permitindo que a mecanização chegue também aos pequenos produtores.”
Conectando especialistas e inovação
O parque também abriga iniciativas voltadas à articulação entre conhecimento científico e demandas emergentes do mercado.
Uma delas é a plataforma Árvore, que conecta especialistas e startups a empresas interessadas em soluções nas áreas de agronegócio, sustentabilidade e mercado de carbono.

Segundo Letícia Braga, coordenadora da plataforma Árvore, a iniciativa surgiu justamente para aproximar conhecimento científico e desafios do setor produtivo.




“A plataforma Árvore nasce justamente para aproximar quem produz conhecimento de quem precisa resolver problemas concretos. Muitas vezes a solução já existe dentro da universidade ou em uma startup, mas falta essa conexão.”
Atualmente, a rede reúne cerca de 100 especialistas cadastrados e mais de 60 startups, formando um ambiente colaborativo que conecta conhecimento científico, inovação tecnológica e demandas do setor produtivo.
A iniciativa também prevê a criação de um núcleo de estudos sobre mercado de carbono na UFLA, ampliando a integração entre universidade, ciência e sustentabilidade.
Estrutura e gestão do parque
Localizado no campus da UFLA, o IpêTech Lavras possui cerca de 14 mil metros quadrados de área construída, com 108 salas modulares destinadas a empresas e projetos de inovação, além de 22 lotes edificáveis voltados à instalação de estruturas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
O parque científico e tecnológico conta com gestão da FUNDECC (Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural), fundação de apoio credenciada da UFLA responsável pelo suporte administrativo e institucional ao desenvolvimento das iniciativas instaladas no espaço.
A consolidação do IpêTech também contou com apoio da PROINFRA (Pró-Reitoria de Infraestrutura da UFLA), especialmente no processo de adequação técnica das estruturas e obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento que certifica a segurança das instalações.

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